Google Livros e o “caralho”!

Em primeiro lugar é de louvar a eficácia da publicidade do Google: vai desde “Aumente o seu pénis”, passa por “Sexo de uma Noite”, afinfa-lhe em “Só sexo” e não se esquece de “Sexo Real, 100% grátis e sem inscrição”. (Note-se que este Sexo real não tem nada a ver com sexo monárquico, creio). Tudo a propósito do “caralho”.

Temos pois, num Elucidário de 1865, um Caralho, pura a simplesmente.

Nos Anais da Câmara dos Deputados, de 1866, temos um Souza Caralho; no Correio Brasiliense de 1844 aparece Custódio Pereira de Caralho; e no Curso Elementar de Litteratura Nacional, de 1862, pontifica F. Freire de Caralho.

Prosseguimos nesta odisseia de Google Livros e o “caralho”.

Annaes da Marinha Portugueza, 1839, temos João Rodrigues Salema de Caralho; na Gazeta de Lisboa de 1833, João Simões Caralho; na Descripção do Real Mosteiro de Belem (1837), a preciosidade: Padre António Caralho da Costa. E ainda, nas Decisões do Governo dos Estados Unidos do Brazil, 1857, José Zacarias de Caralho.

Acabando esta primeira de duas páginas que o Google Livros dedica ao “caralho”, encontramos, em 1845, na Revista Universal Lisbonense/por uma Sociedade Estudiosa, José Coelho de Caralho. E na mesma revista, mas de 1843: vi.le de Caralho.

Nova página, a mesma publicidade da Google direccionada ao “caralho”, e temos, em O atheneu, 1850, JJ Pereira de Caralho; em O Independente, onde, em 1821, surge um tal Paulo Portas, temos um … Caralho…, assim, sozinho e abandonado. The London literary gazette, de 1829, aparece: by D. Caralho 74.

Continuamos em francês:  Comptes rendus des séances de l’année … , de 1858, par M. Caralho; em Séances générales tenues à … en … par la Société française …, 1847, temos mais um Caralho isolado.

Em Alemão, Abhandlungen der Historischen Classe der Königlich Bayerischen … de 1866, temos Ausdruckes caralho, assim a modos que “expressão caralho” (que se deve procurar em nossos dicionários do idioma Português em vão); é o que diz o Tradutor do Google do que está lá escrito em alemão, que eu, por mim, não percebo nada!

Mas tinha que ser em Francês: Bulletin de la Société d’archéologie et d’histoire de la Moselle, 1866: Alto, Caralho!

Os norte-americanos da Annual reports of the officers of state of the State of Indiana, em 1862, saem-se com um “AND Caralho“; a Coleção das leis, de 1865, lá estão “Dias de Caralho“.

Voltando aos alemães, 1856, Valentin Ferdinand’s Beschreibung der westküste Afrika’s bis zum, voltam a não encontrar o “caralho” nos seus dicionários. Eu creio que essa mania de tentar encontrar o “caralho” nos seus dicionários se deve a insulto que receberam e não perceberam muito bem!

 

Mas ainda há mais sobre o “caralho” nos Livros do Google; se abrirem, por exemplo, Anais da Câmara dos Deputados, encontram:

… pelo menos dois “caralhos” no livro em causa!

E já se devem ter apercebido à muito, que salvo os alemães que se estão a referir ao “caralho” propriamente dito…

… todos os outros se referem…

… a pobres “Carvalhos”, como este Padre António Caralho da Costa. Apenas o Google não conseguiu ler-lhes o “v”, e o Carvalho virou Caralho, com maiúscula.

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